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Azul prevê novas rotas internacionais a partir de 2027

A Azul prevê retomar o crescimento das rotas internacionais a partir de 2027, após concluir o processo de renovação e transição de frota programado para este ano. A informação foi confirmada pelo CEO John Rodgerson durante coletiva realizada nesta segunda-feira (23).

Segundo o executivo, 2026 será dedicado à reorganização operacional da companhia, com a incorporação de novas aeronaves e devolução de modelos mais antigos, movimento que ocorre após a saída da empresa do Chapter 11 — mecanismo da legislação dos Estados Unidos semelhante à recuperação judicial no Brasil.

Rodgerson também descartou a retomada das negociações de fusão com a Gol. De acordo com ele, após a reestruturação financeira, a Azul não vê necessidade de combinação de negócios.

Ainda durante a coletiva, o CEO confirmou que as norte-americanas American Airlines e United Airlines passarão a deter, cada uma, 8% das ações da companhia, com aportes de US$ 100 milhões anunciados em 19 de fevereiro. No caso da American Airlines, o acordo ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Renovação da frota

A companhia deve receber dois aviões A330neo novos de fábrica nos próximos meses e, paralelamente, devolver aeronaves mais antigas, que apresentam custos mais elevados de arrendamento. A transição está prevista para ocorrer em cerca de seis meses. Segundo Rodgerson, os novos modelos possuem menor custo operacional.

Além das aeronaves de longo curso, a Azul continuará recebendo entre cinco e seis aviões da Embraer por ano e também irá reativar três aeronaves que estavam paradas por questões técnicas. Atualmente, a empresa opera 175 aeronaves ativas.

Expansão internacional só após a transição

De acordo com o CEO, a ampliação das rotas internacionais acontecerá apenas após a conclusão da renovação da frota. Hoje, a Azul opera voos para Estados Unidos e Europa, além de destinos como Montevidéu e, em períodos sazonais, Bariloche.

“Vamos continuar crescendo internacionalmente, mas isso será mais a partir de 2027, não em 2026”, afirmou Rodgerson, destacando que o foco agora é fortalecer a estrutura financeira e operacional da empresa.

Fusão com a Gol está descartada

Ao ser questionado sobre uma possível retomada de negociações com o Grupo Abra, controlador da Gol e da Avianca, Rodgerson afirmou que a possibilidade não está em pauta.

Segundo ele, antes do processo de recuperação judicial, uma fusão poderia ser considerada como alternativa diante do alto nível de endividamento. No entanto, após a reestruturação, a companhia avalia que não há necessidade de união com outra empresa.

“Não está na mesa. Saímos do processo com dívida menor e uma empresa mais saudável”, declarou.

Impacto da recuperação judicial

De acordo com a Azul, o processo de recuperação judicial resultou na redução de aproximadamente US$ 1,1 bilhão em dívidas relacionadas a empréstimos e financiamentos. Somada à queda de cerca de 40% nas obrigações de arrendamento de aeronaves, a redução total nas obrigações chega a aproximadamente US$ 2,5 bilhões.

A companhia também informou que saiu do processo com US$ 850 milhões em novos investimentos por meio de ações.

Entre os principais resultados apresentados estão:

  • Redução superior a 50% nos pagamentos anuais de juros em comparação ao período anterior ao Chapter 11;
  • Corte de cerca de um terço nos custos recorrentes com arrendamento de aeronaves;
  • Captação de aproximadamente US$ 1,375 bilhão com emissão de Notas Seniores;
  • Compromissos de cerca de US$ 950 milhões em aportes via equity.

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