Diesel dispara mais de 20% em Indaiatuba e já supera média nacional
O preço do diesel registrou forte alta em Indaiatuba nos últimos dias e já supera a média nacional, mesmo após medidas do governo federal para conter os reajustes.
Levantamento feito diretamente em postos da cidade pela reportagem nesta quarta-feira (18) aponta que o diesel comum passou de R$ 5,85 no início de março para valores entre R$ 6,59 e R$ 7,19 atualmente. A apuração foi realizada após a última pesquisa da ANP não incluir dados de Indaiatuba.
A alta varia de R$ 0,74 a R$ 1,34 por litro, o equivalente a aumentos entre 12% e 22%.
No caso do diesel S10, o salto foi ainda maior. O preço médio saiu de R$ 6,09 para uma faixa entre R$ 7,09 e R$ 7,49. Isso representa um aumento de R$ 1,00 a R$ 1,40 por litro, ou entre 16% e 23%.
A alta rápida ocorreu em poucos dias e reflete a pressão internacional sobre os combustíveis, que chegou com força ao interior paulista.
Preços do diesel em Indaiatuba
| Tipo de diesel | Início de março | Atual (mín) | Atual (máx) | Variação (R$) | Variação (%) |
|---|---|---|---|---|---|
| Comum | 5,85 | 6,59 | 7,19 | +0,74 a +1,34 | 12% a 22% |
| S10 | 6,09 | 7,09 | 7,49 | +1,00 a +1,40 | 16% a 23% |
Fonte: ANP e levantamento da reportagem
Estado e país já registram alta generalizada
Os dados mais recentes da ANP mostram que a alta já atingiu todo o país. No Brasil, o diesel comum chegou a R$ 6,80, enquanto o S10 atingiu R$ 6,89.
No estado de São Paulo, os preços estão praticamente alinhados com a média nacional, com R$ 6,76 para o diesel comum e R$ 6,87 para o S10.
Os valores registrados atualmente em Indaiatuba já se igualam ou superam essas médias, indicando que a alta chegou com força ao interior.
Preços médios – Brasil e São Paulo
| Local | Diesel comum | Diesel S10 |
|---|---|---|
| Brasil | 6,80 | 6,89 |
| São Paulo | 6,76 | 6,87 |
Fonte: ANP (pesquisa mais recente)
Governo zerou impostos para conter alta
Diante da disparada dos preços, o governo federal anunciou no dia 12 de março a redução a zero das alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel.
A medida tinha como objetivo reduzir o impacto ao consumidor e conter o avanço dos preços, com estimativa de queda de cerca de R$ 0,64 por litro.
Apesar disso, o efeito foi limitado diante da pressão internacional sobre o petróleo.
Petrobras anunciou aumento logo em seguida
No dia seguinte, 13 de março, a Petrobras anunciou reajuste no preço do diesel vendido às distribuidoras.
O aumento foi de R$ 0,38 por litro, refletindo a alta do petróleo no mercado internacional e a defasagem dos preços internos.
Mesmo com o corte de impostos, o reajuste contribuiu para manter a trajetória de alta nas bombas.
Governadores resistem a reduzir ICMS
Outro ponto de pressão envolve o ICMS, imposto estadual que incide sobre os combustíveis.
Governadores de diversos estados indicaram que não pretendem reduzir o tributo neste momento, alegando impacto nas contas públicas.
A resistência limita o efeito das medidas federais e mantém a carga tributária elevada sobre o diesel.
Conflito no Oriente Médio pressiona petróleo
A escalada recente do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, iniciada no fim de fevereiro, elevou o risco global sobre o fornecimento de petróleo.
Ataques a instalações estratégicas e a possibilidade de interrupções no transporte de petróleo no Oriente Médio provocaram forte reação do mercado.
Antes do conflito, o barril do petróleo tipo Brent era negociado na faixa de US$ 70. Com a escalada, os preços dispararam e chegaram a ultrapassar US$ 110 em poucos dias.
Atualmente, o barril permanece em torno de US$ 100, ainda em patamar elevado.
Preço do barril de petróleo
| Período | Preço (US$) |
|---|---|
| Antes do conflito | 70 |
| Após início dos ataques | 80 a 90 |
| Pico da crise | 110 a 120 |
| Cotação atual | 100 |
Fonte: mercado internacional (cotações mais recentes)
Alta internacional segue pressionando combustíveis
Mesmo com medidas internas, o avanço do petróleo no mercado internacional continua sendo o principal fator de pressão sobre o diesel.
A tendência é de manutenção da volatilidade nos próximos dias, com impacto direto nos preços ao consumidor.
Proposta federal
O governo federal também avançou em uma nova frente para tentar conter a alta do diesel. O Ministério da Fazenda propôs aos estados zerar o ICMS sobre a importação do combustível, com compensação parcial das perdas de arrecadação. A estimativa é de um custo de cerca de R$ 3 bilhões, com divisão entre União e estados.
A medida teria caráter temporário, com validade até o fim de maio, e foco em facilitar a entrada de diesel importado no país. Segundo a equipe econômica, a iniciativa busca reduzir barreiras, garantir o abastecimento e aliviar a pressão sobre os preços, especialmente diante da alta internacional provocada pelo conflito no Oriente Médio.
Apesar da proposta, há resistência por parte dos estados. Secretários de Fazenda avaliam que a redução do ICMS pode gerar perda de arrecadação sem garantir queda efetiva no preço ao consumidor, já que parte do impacto costuma ser absorvida pela cadeia de distribuição e revenda.
