Família diz que gestante morreu por negligência no Haoc
A família de Bianca Fidencio denuncia possível negligência médica após uma série de complicações durante o parto que resultaram na morte da gestante e deixaram o recém-nascido em estado grave. O caso ocorreu no Hospital Augusto de Oliveira Camargo (HAOC), em Indaiatuba.
Segundo familiares, Bianca deu entrada no hospital no domingo (18), com mais de 40 semanas de gestação, para o nascimento do filho, Ravi Gabriel. Ainda de acordo com o relato, durante o pré-natal já havia indicação de que o parto deveria ser realizado por cesariana, em razão de histórico obstétrico anterior.
Conforme a família, mesmo após manifestar preferência pela cesárea, a gestante foi encaminhada para tentativa de parto normal. Durante o trabalho de parto, ocorreram intercorrências e o bebê nasceu sem sinais vitais, sendo encaminhado para atendimento emergencial.
Após manobras de reanimação, o recém-nascido foi levado para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde permanece internado em estado grave.
Pouco tempo depois, Bianca apresentou quadro de hemorragia intensa e precisou ser levada às pressas ao centro cirúrgico. A família afirma que ela passou por procedimentos de emergência e foi encaminhada para a UTI devido à grande perda de sangue.
Nos dias seguintes, o estado de saúde da paciente se agravou. Conforme informado à família, houve comprometimento neurológico grave por falta de oxigenação no cérebro. Bianca não resistiu e morreu dias depois.
Os familiares registraram boletins de ocorrência e cobram investigação rigorosa do caso, com apuração transparente e esclarecimento de eventuais responsabilidades.
Nota do Haoc
Em nota, via assessoria de imprensa, o Haoc se manifestou sobre o ocorrido: “Em resposta à solicitação de esclarecimento sobre o caso obstétrico envolvendo a gestante Bianca Fidêncio, informamos que:
No momento da admissão, no dia 18 de janeiro, por volta das 10h, a paciente manifestou desejo de parto cesariano. No entanto, já se encontrava em franco trabalho de parto, com dilatação cervical de 4 cm, contrações eficazes e batimentos cardíacos fetais presentes e normais, em torno de 130 batimentos por minuto, indicando boa vitalidade fetal naquele momento.
Às 10h45, novo exame mostrou evolução rápida do trabalho de parto, com dilatação entre 6 e 7 cm, o que indicava progresso adequado e tornava o parto vaginal uma conduta viável e recomendada nessa situação, passando a cesariana a ser considerada apenas se surgissem intercorrências.
Às 11h15, a dilatação encontrava-se em 9 cm, praticamente completa, quando foi identificada bradicardia fetal sustentada, sinal de sofrimento fetal agudo. Diante dessa situação, o médico obstetra informou a paciente e seu acompanhante sobre o quadro clínico e explicou que, naquele momento, a via vaginal representava a forma mais rápida e segura de nascimento. Com o objetivo de abreviar o nascimento e reduzir o sofrimento fetal, foi realizada a aplicação de fórceps, procedimento previsto e indicado em situações específicas de emergência obstétrica.
O recém-nascido apresentou peso aproximado de 4 kg e nasceu com sinais de hipóxia, recebendo imediatamente assistência da equipe neonatal especializada.
Após o parto, a paciente evoluiu com sangramento vaginal intenso, associado à atonia uterina, condição em que o útero não consegue se contrair adequadamente após o nascimento, configurando uma das principais causas de hemorragia pós-parto.
Diante da gravidade do quadro, foi necessária intervenção cirúrgica de urgência, por meio de laparotomia, culminando em histerectomia, medida extrema, porém indicada para o controle do sangramento e preservação da vida materna. A paciente evoluiu com complicações graves, incluindo Coagulação Intravascular Disseminada (CIVD), condição reconhecida como potencialmente fatal e associada a hemorragias obstétricas severas.
Esclarecemos que o Dr. Gabriel Alvarenga é médico obstetra, com formação especializada e ampla experiência nesta unidade hospitalar, não havendo registros prévios de condutas inadequadas ou infrações éticas em sua atuação profissional
Informamos ainda que a maternidade realiza, em média, 180 partos mensais, com histórico de nenhuma notificação de óbito materno no último ano. Nosso índice de óbito neonatal está abaixo da média do estado e também da média nacional. Os óbitos neonatais registrados decorrem, principalmente, de prematuridade e anomalias congênitas, com taxa de 7,09%, igualmente inferior à média nacional.
Todos os casos são analisados pelo Comitê de Mortalidade Infantil do município, o que demonstra o compromisso institucional com a qualidade e a segurança da assistência prestada.
Sobre o caso em questão, ressaltamos que a atonia uterina é uma complicação obstétrica conhecida, imprevisível em muitos casos, podendo ocorrer tanto em partos vaginais quanto cesarianos, mesmo na ausência de fatores de risco aparentes, sendo amplamente descrita na literatura médica como uma das principais emergências obstétricas.
O parto evoluiu de forma rápida e previsível desde a admissão até a dilatação completa, motivo pelo qual foi mantida a condução por via vaginal, em consonância com os protocolos assistenciais vigentes. A admissão ocorreu às 10h, com parto efetivo às 13h45, caracterizando um período expulsivo relativamente curto, com dilatação total.
Por fim, informamos que a Diretoria do Hospital instaurou uma sindicância interna, cujos resultados serão encaminhados à Comissão de Ética Médica do Hospital e, posteriormente, ao Conselho Regional de Medicina, órgão legalmente competente para a avaliação da conduta profissional.”
Familiares cobram justiça em comentários nas redes sociais
A repercussão do caso levou familiares de Bianca a se manifestarem publicamente nas redes sociais, com mensagens de revolta e cobrança por responsabilização. O Jornal de Indaiatuba separou alguns comentários da página Indaiatubanos.
Em um dos comentários, fidencio_07, identificado como familiar, escreveu:
“Que tenha justiça pela vida da minha irmã. O que ele fez foi homicídio. Não vou perdoar”.
Outra familiar, priscilafidencio0, afirmou:
“Só para complementar, ela tinha carta para fazer cesária, porém ele não fez”.
As mensagens pedem que o caso seja investigado com rigor e que não seja tratado como um episódio isolado.
Comentários relatam perdas gestacionais semelhantes
Nos comentários da publicação, diversas pessoas relataram, nas redes sociais, experiências pessoais envolvendo perdas gestacionais e complicações durante o parto, associadas por elas a falhas no atendimento médico.
A internauta souzasimone2 comentou:
“Em 2004 perdi meu filho, a mesma situação na hora de nascer, com o mesmo médico. Meu filho não sobreviveu nem uma hora. Voltei pra casa sem nenhum respaldo. Esse ano ele completaria 21 anos”.
Já debora_milene4241 relatou uma experiência anterior:
“Há 18 anos aconteceu o mesmo comigo. Eu tinha feito uma cesárea um ano e meio antes, cheguei com 41 semanas e ele disse que não faria cesária. Saí de lá chorando e com medo”.
Outro comentário, de adelainebernardes, afirma:
“Trauma desse hospital. Tive péssima experiência com esse médico em 2018. Perdi um filho por negligência”.
Os relatos foram publicados como comentários pessoais nas redes sociais e ampliaram a repercussão do caso.
Internautas também relatam perda de outros familiares
Além das experiências relacionadas à gestação, internautas também usaram os comentários para relatar perdas de outros familiares em atendimentos realizados no hospital.
A usuária silviamartinsfitness escreveu:
“Quantas pessoas esse hospital vai continuar matando. Meu pai faleceu aí por culpa do atendimento”.
Outro comentário, de mauriinho_ferreira, afirma:
“Esse hospital tem que ser investigado. Muitas negligências. Minha cunhada foi vítima de mais uma negligência médica e não resistiu”.
As manifestações reforçam pedidos por investigação mais ampla sobre os atendimentos realizados na unidade hospitalar.
