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Guarda de Indaiatuba é preso em operação que investiga lavagem de dinheiro

A Operação Criptonita deflagrada pela Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo nesta terça-feira (7) revelou um esquema de lavagem de dinheiro milionário por meio de criptomoedas.

Quatro alvos da ação foram presos em endereços em Sorocaba, Indaiatuba e Santa Isabel, no interior do estado, além da cidade de Natal, no Rio Grande do Norte. Um quinto envolvido no esquema criminoso já estava detido em decorrência de apurações da Polícia Federal e do próprio Ministério Público.

O guarda municipal de Indaiatuba é ligado a facções criminosas e à venda de armas, segundo investigação. Ele foi preso nesta terça-feira (7) suspeito de integrar uma quadrilha especializada em extorsão e sequestro.

Mensagens interceptadas pela Polícia Civil indicam que o guarda participou de negociações de armamentos, incluindo revólveres calibre .38 e pistolas 9 mm. Em uma das conversas, há também a tratativa para a venda de um fuzil calibre 556.

No celular dele, os investigadores encontraram ainda mensagens com comunicados de facções criminosas como PCC e Comando Vermelho, incluindo conteúdo que menciona uma possível aliança entre os grupos.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de Indaiatuba informou que “está em andamento a solicitação de afastamento do agente envolvido pelo período de 60 dias”. Além disso, afirmou estar “à disposição das autoridades para colaborar com as investigações”. A defesa do guarda ainda não se manifestou publicamente.

Investigações

As investigações tiveram início após um sequestro ocorrido no Shopping Cidade Jardim, na capital paulista. A partir do caso, os policiais do 34º Distrito Policial identificaram a atuação de uma organização criminosa estruturada, com divisão de tarefas e uso de criptoativos para ocultar e movimentar valores ilícitos.

Segundo a apuração, o caso tem ligação com uma investigação anterior da Divisão de Crimes Cibernéticos (DCCiber), do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), que apura uma fraude bancária com prejuízo estimado em R$ 146,5 milhões. A vítima do sequestro é apontada como um dos envolvidos nesse esquema e teria participado da movimentação de recursos por meio de criptomoedas.

Há indícios de que parte do dinheiro tenha sido desviada, o que pode ter motivado o crime. Os investigadores também identificaram transferências superiores a R$ 70 milhões a um parceiro comercial ligado ao suspeito, valor considerado incompatível com a capacidade financeira declarada.

Durante o cumprimento dos 14 mandados de busca, foram apreendidos relógios de luxo, veículos de alto padrão, celulares, notebooks, uma máquina de contar dinheiro e dispositivos possivelmente utilizados em transações com criptomoedas. Entre os investigados está um guarda civil municipal.

De acordo com o delegado Marcus Vinícius da Silva Reis, titular do 34º Distrito Policial, a apuração revelou um esquema sofisticado. “As investigações apontam para uma estrutura criminosa que utilizava criptomoedas para ocultar a origem ilícita dos valores e viabilizar a movimentação financeira do grupo”, afirmou. As diligências continuam aprofundar o rastreamento dos recursos movimentados pela organização criminosa.

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