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José Dirceu visita Indaiatuba e participa de aniversário do PT

O ex-ministro da Casa Civil e dirigente nacional do Partido dos Trabalhadores, José Dirceu, esteve em Indaiatuba na quarta-feira (25) para cumprir uma agenda política e partidária na cidade. Durante a passagem pelo município, ele visitou a Casa Hub, concedeu entrevistas a veículos de imprensa local e participou da comemoração de aniversário do Partido dos Trabalhadores no Sindicato dos Metalúrgicos, localizado no Jardim Morada do Sol.

Pré-candidato a deputado federal, Dirceu cumpre uma série de agendas pelo interior paulista com foco na reorganização partidária e articulação política visando as próximas eleições.

Na visita à Casa Hub, o ex-ministro se reuniu com lideranças de movimentos sociais e representantes partidários da região. Estiveram presentes Vinícius Fonseca, do movimento Emancipa, o presidente do PT Indaiatuba, Paulo Ramos, a vice-presidente do diretório municipal, Marion Ferraz, além da vereadora de Ribeirão Preto, Duda Hidalgo.

Durante a passagem pela cidade, Dirceu concedeu entrevista ao Jornal de Indaiatuba, abordando o cenário político nacional, os desafios do PT no interior de São Paulo, economia, eleições e sua pré-candidatura à Câmara Federal.

ENTREVISTA — PERGUNTAS E RESPOSTAS

Jornal de Indaiatuba: O senhor já conhecia Indaiatuba e a região?
José Dirceu: Conheço bem o interior paulista. Eu nasci em cidade do interior e vivi muitos anos em municípios de porte semelhante. Tenho familiares que moraram nesta região e sempre circulei bastante pelo interior de São Paulo, aqui em Indaiatuba morava o Luiz Gushiken [dirigente histórico do PT]. Essa vivência ajuda a compreender melhor a realidade das cidades médias, que têm grande importância econômica e social para o país.

JI: Dentro da sua visão, qual é hoje a principal dificuldade do PT no interior de São Paulo e o que precisa ser feito para ampliar a presença do partido?
JD: O PT passou por quase dez anos extremamente difíceis. Tivemos a Lava Jato, a prisão ilegal do presidente Lula posteriormente anulada pelo Supremo Tribunal Federal, o impeachment da presidenta Dilma e uma forte campanha política contra o partido. Isso interrompeu um processo de organização que vinha sendo construído há décadas. Agora estamos em uma fase de reconstrução, retomando o diálogo com a população e reorganizando nossas bases. O PT já governou cidades importantes do interior, como Campinas, Ribeirão Preto, Araraquara, Franca e outras. Existe um legado administrativo e político que precisa ser reconectado com a sociedade. Esse trabalho passa por presença permanente nas cidades, formação política e fortalecimento das lideranças locais.

JI: O senhor tem defendido que o PT dispute o governo do Estado de São Paulo. Esse é um objetivo real para os próximos anos?
JD: Sem dúvida. São Paulo é o maior estado do país e tem papel decisivo na política nacional. O PT já governou grandes capitais e diversos estados brasileiros, mas ainda não governou São Paulo. Defendo que o partido dispute a eleição estadual de forma competitiva. Tenho defendido o nome do Fernando Haddad como candidato e a construção de uma chapa forte ao Senado. Será uma disputa estratégica porque São Paulo influencia diretamente o resultado das eleições presidenciais.

JI: Nos últimos dias voltou o debate sobre a permanência do vice-presidente Geraldo Alckmin na chapa presidencial. Qual é sua avaliação?
JD: Na minha opinião, o vice-presidente Geraldo Alckmin cumpre um papel importante. Ele dialoga com setores da sociedade que não são necessariamente de esquerda, mas que defendem a democracia e a estabilidade institucional. Demonstrou lealdade política e tem desempenhado um papel relevante no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, especialmente diante do cenário internacional e das questões ligadas às exportações e à reindustrialização do país. Evidentemente, essa decisão cabe ao presidente Lula e ao próprio Alckmin, mas considero positiva a continuidade dessa aliança.

JI: A economia apresenta indicadores considerados positivos, mas isso ainda não se traduz totalmente em popularidade política. Como o senhor explica esse cenário?
JD: A política não é determinada apenas por indicadores econômicos. Existem fatores ideológicos, culturais, religiosos e políticos envolvidos. O governo conseguiu manter o país em estabilidade democrática, com crescimento econômico, aumento do emprego e inflação sob controle. No entanto, ainda enfrentamos limitações no Congresso Nacional, onde não temos maioria suficiente para aprovar reformas estruturais mais profundas. Para avançar na melhoria dos serviços públicos e reduzir desigualdades, é necessário ampliar investimentos e realizar reformas que tornem o sistema tributário mais justo.

JI: O senhor é pré-candidato a deputado federal. Qual é o principal objetivo dessa candidatura?
JD: Minha candidatura tem dois sentidos. O primeiro é uma reparação política e histórica pela cassação que sofri, que considero ter sido uma decisão política sem provas contra mim. O segundo é contribuir com a experiência acumulada ao longo da minha trajetória. Fui deputado estadual, deputado federal por diversas legislaturas e ministro de Estado. Acredito que posso ajudar o governo e o Congresso na construção de maiorias políticas e na aprovação de projetos estratégicos para o desenvolvimento do país.

JI: Quais bandeiras devem marcar sua atuação política?
JD: A defesa da democracia e da soberania nacional continuam sendo centrais. Também defendo uma reforma política que fortaleça os partidos e reduza a fragmentação atual. Além disso, considero fundamentais investimentos em educação, tecnologia, segurança pública, inovação e reindustrialização. O Brasil precisa crescer agregando valor à produção e ampliando oportunidades para a população.

JI: Qual o legado do atual governo do presidente Lula?
JD: O principal legado é a reconstrução institucional do país. A democracia foi preservada em um momento de forte tensão política. O Brasil retomou o crescimento econômico, voltou a investir em infraestrutura, fortaleceu políticas sociais e recuperou protagonismo internacional. O país voltou a combater a fome, ampliou investimentos industriais e iniciou políticas voltadas à transição energética e à inovação tecnológica.

JI: Como é hoje sua participação política junto ao governo federal?
JD: Eu não exerço cargo formal, mas participo da vida política do partido e mantenho diálogo com ministros, parlamentares e dirigentes. Procuro contribuir com análises, debates públicos e articulações políticas, algo natural para quem tem mais de seis décadas de atuação política.

JI: O senhor conheceu a Casa Hub durante a visita. Qual foi sua avaliação do espaço?
JD: Fiquei muito impressionado. É uma iniciativa de acolhimento e mobilização social que reúne jovens e lideranças comprometidas com o bem-estar coletivo. Atua na promoção da cultura, educação, apoio social e proteção de grupos vulneráveis, como mulheres e imigrantes. Considero um exemplo importante que poderia ser replicado em outras cidades do Estado de São Paulo e do Brasil.

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