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Trabalhadores da Corpus entram em greve em Indaiatuba

Os coletores de lixo de Indaiatuba iniciaram, na manhã desta segunda-feira (16), uma greve que suspendeu totalmente o serviço de coleta no município. Segundo a categoria, nenhum caminhão saiu às ruas e a paralisação seguirá por tempo indeterminado até que haja avanço nas negociações por melhores salários, reajuste no vale-alimentação e melhorias nas condições de trabalho.

A mobilização acontece em frente à sede da empresa Corpus Saneamento e Obras, no bairro Recreio Campestre Jóia. De acordo com os trabalhadores, o movimento é pacífico e busca abrir diálogo com a gestão superior da empresa para apresentar reivindicações e relatar situações consideradas inadequadas no exercício da função.

Em relatos enviados de forma anônima à reportagem, trabalhadores afirmam que convivem frequentemente com falta de caminhões e veículos em condições inadequadas de uso, citando problemas como ausência de botão de emergência, veículos desalinhados e até com falhas nos freios.

Os coletores também denunciam jornadas extensas, iniciando às 6h da manhã e se estendendo até 20h ou mais, sem que haja, segundo eles, suporte alimentício por parte da empresa durante o expediente. Outra queixa envolve a realização da coleta com equipes reduzidas, em trechos longos e considerados pesados, além da necessidade de trabalhar mesmo machucados devido à falta de funcionários reserva.

Ainda conforme os relatos, há situações em que os trabalhadores chegam ao aterro sanitário no período noturno para descarregar os caminhões sob chuva, retornando à base apenas depois da conclusão do serviço, muitas vezes sem terem feito refeições adequadas ao longo do dia.

Os funcionários afirmam que o salário base da categoria gira em torno de R$ 1.700, valor que consideram insuficiente diante do custo de vida e inferior ao praticado em municípios vizinhos. “Não queremos regalias, queremos reconhecimento e condições dignas de trabalho”, diz um dos relatos encaminhados de forma anônima.

Também foram apontadas falhas na estrutura do aterro, como a ausência de banheiros disponíveis próximos à balança e a falta de cobertura para abrigo em dias de chuva.

Todas as denúncias protocoladas junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT) foram realizadas de forma anônima.

Nota da Corpus

A Corpus Saneamento e Obras divulgou nota oficial na manhã desta segunda-feira (15) sobre a paralisação iniciada por parte dos coletores de lixo em Indaiatuba.

Segundo a empresa, a greve é considerada ilegal e arbitrária, pois, de acordo com a nota, não teria cumprido os requisitos da Lei nº 7.783/89 e não contou com deliberação ou apoio do sindicato da categoria.

A Corpus afirma que atua em conformidade com a CLT, a Convenção Coletiva e as Normas Regulamentadoras de segurança do trabalho. A empresa também declarou que é inverídica a informação de que não fornece Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) adequados aos colaboradores, destacando que mantém treinamentos periódicos, registros formais e acompanhamento técnico das equipes.

Sobre a frota, informou que existe programa estruturado de manutenção preventiva e corretiva, além da recente incorporação de novos caminhões para modernização da operação. A empresa nega que opere com veículos em condições inseguras.

Em relação à jornada de trabalho, a nota afirma que não há irregularidades e que os controles seguem o artigo 71 da CLT e a Convenção Coletiva vigente.

Quanto à remuneração, a Corpus declarou que os salários e benefícios estão de acordo com o piso estabelecido em negociação coletiva. O chamado “prêmio” citado pelos trabalhadores, segundo a empresa, trata-se de um bônus por assiduidade, previsto em norma coletiva, e não de penalidade ou desconto indevido.

A empresa finaliza informando que mantém diálogo aberto e que trabalha para normalizar os serviços o mais breve possível, reafirmando compromisso com a legalidade, a segurança das equipes e a qualidade do serviço prestado à cidade.

A Prefeitura de Indaiatuba foi questionada sobre a situação, mas até o fechamento desta reportagem não se manifestou.

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