Viracopos faz simulado de acidente aéreo
Um simulado de acidente aéreo realizado nesta quinta-feira, 26 de março, no Aeroporto Internacional de Viracopos, colocou à prova o tempo de resposta e a capacidade de atendimento da Rede Mário Gatti em situações com múltiplas vítimas.
A atividade contou com a participação integrada de profissionais do Samu, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, equipe do aeroporto e da Unimed, reforçando a importância da atuação conjunta em cenários de alta complexidade.
O exercício simulou um incêndio em aeronave, com a necessidade de resgate de 19 vítimas com diferentes níveis de gravidade, incluindo casos de politrauma e queimaduras graves. Para a operação, foram mobilizadas cinco ambulâncias, entre unidades de suporte avançado e básico.
Após o resgate, houve o transporte de cinco vítimas e o atendimento delas nos hospitais Mário Gatti, Ouro Verde e Mário Gattinho, além da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) São José, agregando mais indicadores de resposta ao simulado.
“Simulado é sempre muito importante para as nossas equipes porque a gente consegue testar nossos tempos, a nossa capacidade de atendimento e a integração entre as equipes. Então, o simulado traz muito ganho para a gente enquanto equipe. A gente calculou o tempo-resposta real”, explicou Vanessa Orrutia, supervisora do Samu.
Para Dayane Roversi Cavalcante, coordenadora de Resposta à Emergência Aeroportuária de Viracopos, o exercício reforça o compromisso contínuo com a segurança operacional.
“Além do conhecimento técnico adquirido, a atividade promoveu a integração entre as equipes e fortaleceu o relacionamento institucional, fatores essenciais para a prontidão dos recursos internos e externos do Sistema de Resposta à Emergência Aeroportuária, garantindo atuação coordenada e eficiente em situações críticas, sempre com foco na preservação de vidas”, afirmou.
Cronologia do atendimento
A ação seguiu protocolos específicos para incidentes com múltiplas vítimas. Inicialmente, o aeroporto emitiu um alerta preventivo ao Samu, que manteve as equipes em prontidão. Após a confirmação do acidente simulado, as ambulâncias foram deslocadas até o local.
No cenário, foi realizada a triagem das vítimas por meio do método START, que classifica os pacientes por cores conforme a gravidade. Os casos mais graves foram encaminhados por unidades de suporte avançado, enquanto os demais seguiram em ambulâncias de suporte básico.
As vítimas leves foram direcionadas à UPA São José, enquanto os casos mais graves foram encaminhados aos hospitais Mário Gatti e Ouro Verde, referências em especialidades como neurocirurgia e ortopedia.
“O mais legal dessa atividade, que está sendo coordenada entre o aeroporto e a Rede Mário Gatti, é esse ineditismo que a gente tem de poder aplicar aquilo que é realizado em uma estação aeroportuária, que é a remoção de vítimas, com outro tipo de atendimento, dentro da rede hospitalar”, explicou Edson Bezerra, diretor técnico do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti.
Integração com o ensino
O simulado também teve caráter pedagógico, contando com a participação voluntária dos estudantes de medicina da Faculdade São Leopoldo Mandic, UNIFAJ e USF, instituições conveniadas com a Rede Mário Gatti.
A iniciativa reforça a integração entre assistência e formação profissional, contribuindo para a qualificação dos futuros profissionais de saúde.
Avaliação positiva
A coordenadora do Núcleo de Ensino e Pesquisa (NEP) da rede, Eliana dos Santos Paião Pereira, avaliou que o exercício foi bem-sucedido. Segundo ela, não houve registro de intercorrências com os voluntários durante o simulado, e os tempos foram respeitados, demonstrando a efetividade do planejamento.
“O simulado, com a participação de estudantes da área da saúde, reforça a missão da Rede Mário Gatti no eixo ensino-serviço, ampliando a experiência dos futuros profissionais e preparando-os para situações adversas à rotina profissional”, afirmou a coordenadora.
Segundo ela, o objetivo desse tipo de atividade é propiciar a prática de eventos não rotineiros, permitindo aos participantes vivenciar a tensão do momento, desenvolver o controle emocional na tomada de decisões e aprimorar o raciocínio clínico rápido, de forma eficiente e segura, tanto para o profissional quanto para a vítima.
“Esse tipo de exercício é fundamental para alinhar fluxos, testar protocolos e fortalecer a comunicação entre todos os envolvidos, garantindo uma resposta rápida, segura e eficiente em situações reais”, destacou.
Eliana também reforçou que a experiência só foi possível graças à atuação integrada e ao comprometimento da Rede Mário Gatti e da Coordenação de Resposta à Emergência do Aeroporto Internacional de Viracopos, em conjunto com as instituições de ensino.
“Essa parceria estratégica demonstra o alinhamento entre assistência e formação, evidenciando o compromisso coletivo com a qualificação dos profissionais de saúde e com a excelência no atendimento à população. O reconhecimento da relevância do simulado e o apoio de todos os envolvidos foram fundamentais para o êxito da atividade”, finalizou a coordenadora.
Operação sem impactos
A organização do simulado garantiu que não houvesse prejuízos ao atendimento da população nas unidades de saúde envolvidas, nem interferência nas operações do aeroporto. Faixas informativas foram instaladas para alertar que se tratava de uma simulação.
