José Carlos Tonin (1948-2026)
Faleceu nesta quarta-feira, dia 22 de abril, o ex-prefeito de Indaiatuba e ex-deputado estadual José Carlos Tonin. A política local foi dominada entre 1977 e 1996 pela dobradinha Clain Ferrari e os irmãos José Carlos e Flávio Tonin, rivais que modernizaram a cidade em muitos aspectos.
O engenheiro José Carlos sucedeu o adversário Clain Ferrari em 1983, e como este administrou Indaiatuba por seis anos, graças aos casuísmos do regime militar que mudavam as eleições na tentativa de conter o crescimento da oposição, o MDB ao qual os Tonin eram filiados. Como só havia dois partidos, a situacionista Arena e o MDB – ou, como dizia Paulo Francis, o partido do Sim e o do Sim, Senhor – ao contrário de hoje, as legendas eram muito mais importantes nos municípios do que hoje em dia. Especialmente José Carlos, que foi muito próximo de Orestes Quércia, o cacique emedebista que dominava o interior paulista.
Ao suceder Clain Ferrari, de quem chegou a fazer parte da equipe de governo, o engenheiro recebeu uma cidade muito diferente de 1976. A cidade contava com um terminal rodoviário (hoje, Ponto Cidadão), uma avenida de entrada bonita, duplicada e decorada com marcos da administração anterior (a Visconde de Indaiatuba) e um belo ginásio de esportes, que seu antecessor não se furtou em batizar com seu próprio nome. Zé Carlos, para os amigos e eleitores, tirou os marcos de Clain e o nome da praça esportiva, que ficou mais conhecida simplesmente como Ginásio de Esportes.
Ele duplicou e asfaltou a Avenida Presidente Vargas, fez a Avenida Conceição – sem que o próprio soubesse explicar o porquê do nome – e modernizou a administração, ao criar a área de Planejamento, onde contratou diversos colegas, que mais tarde se tornaram profissionais conhecidos na cidade. Também criou a Fundação Indaiatubana de Educação e Cultura, a Fiec, então colégio técnico que também valia como segundo grau, e a Guarda Municipal, hoje Guarda Civil.
Também é de Zé Carlos a criação do Distrito Industrial do outro lado da SP-75, o Domingos Giomi. Foi o resultado de uma barganha com o empreendedor Elias Jorge, que havia comprado a Fazenda Engenho d’Água de Ário Barnabé para criar o maior bairro de Indaiatuba, mas que o fez sem reservar áreas verdes e institucionais.
Zé Carlos ameaçou desapropriar a área em que o empresário pretendia fazer o Center Jeans – um outlet que aproveitaria a grande concentração de indústrias de jeans na cidade – mas negociou, ao invés disso, a cessão da área da fazenda do outro lado da rodovia para a criação de um novo distrito industrial, já que o criado por Romeu Zerbini em 1973, que incluía onde hoje estão a Gessy Lever, a Mann Filter e o Recreio Campestre Jóia, estava esgotado.
Não podemos ignorar também o trabalho de infraestrutura no Jardim Morada do Sol, que quando assumiu eram lotes riscados no chão sem asfalto, guias, água, esgoto ou luz. A despeito dos esforços dos moradores, sem a atuação da administração municipal desde então, dificilmente o bairro escaparia de virar uma favela.
Silvio Santos, Helvetia, Quércia e pedágio
Mas qualquer um que tenha conversado mais longamente com ele sabe que saudades mesmo ele tinha de seu tempo na Assembleia Legislativa, onde se elegeu por duas vezes como deputado estadual a partir de 1991, mais alguns anos como assessor e outros cargos.
No seu último ano como prefeito, houve o grande cisma do PMDB, quando a elite intelectual do partido – Franco Montoro, Mário Covas, Fernando Henrique Cardoso, José Serra, entre outros – resolveu sair num movimento contra o cada vez maior domínio de Orestes Quércia, então governador, sobre a máquina partidária. Tonin, sempre fiel ao líder, ficou, viu a duplicação da SP-75 feita por Quércia mudar a cara da região, sendo Indaiatuba a principal beneficiária, e teve todo o apoio do governo para se eleger deputado estadual ao deixar a administração municipal.
Como legislador, ele ficou mais conhecido pelo seu combate à Tele Sena, loteria do grupo Sílvio Santos que era muito popular na época, mas também foi de certa forma responsabilizado pelo pedágio em Helvétia, especialmente pelo cálculo bizarro que faz o custo do percurso entre Campinas quase chegando em Sorocaba recair sobre essa praça. Não era culpa dele, mas do contrato de concessão firmado pela administração tucana, que sucedeu Quércia.
Em 1992, conseguiu eleger o irmão Flávio prefeito, sucedendo novamente Clain, após sua histórica administração do Parque Ecológico e Avenida Ário Barnabé, que incluía o Mini-Hospital, ironizado por Zé Carlos como “mini-hospital é para mini-doenças”. Bom, se ele queria um hospital, o esqueleto do que hoje é o Hospital Dia assombrou a Visconde de Indaiatuba durante anos como um elefante branco.
Como eu sempre digo, de 1964 para cá, Indaiatuba não teve um prefeito inútil, o que na comparação com nossos vizinhos, é uma proeza e tanto. E José Carlos Tonin, talvez o mais político de todos, pelo menos até o advento de Reinaldo Nogueira, foi mais um a dar sua contribuição ao que o Município é hoje. Que descanse em paz e minhas condolências a Maria Emília, Rodrigo, Eduardo e todos os demais familiares.

Por Marcos Kimura, Jornalista cultural e colunista social há 30 anos em Indaiatuba e região
