Fernanda transformou a adoção de seis filhos em missão de vida
Após mais de uma década tentando engravidar, a vida de Fernanda Fabris mudou completamente quando ela decidiu pelo caminho da adoção, que também era uma opção desde que o relacionamento com Maurício começou. Moradora de Indaiatuba, Fernanda, hoje com 39 anos, se tornou conhecida nacionalmente ao adotar quatro irmãos biológicos de uma só vez. Ela conversou com o Jornal de Indaiatuba.
O que começou como uma decisão familiar se transformou em um movimento de acolhimento, conscientização e inspiração para milhares de pessoas nas redes sociais. Atualmente, Fernanda e o marido são pais de seis filhos adotivos e acumulam mais de um milhão de seguidores acompanhando a rotina da família no perfil “Mãe por Amor”.
A decisão que mudou tudo
A adoção aconteceu em 2019, quando Fernanda e o marido Mauricio conheceram, por meio do projeto “Adote um Boa Noite”, do Tribunal de Justiça de São Paulo, os irmãos Arthur, Fabrício, Flávia e Flávio.
Na época, o casal já enfrentava 11 anos de tentativas para engravidar. “Quando vimos as fotos deles, sentimos uma conexão imediata”, relembra Fernanda.
Quando viram as fotos dos irmãos, eles se viram que tinham encontrado uma parte da família que nem sabiam que existia até então. A adoção coletiva chamou atenção da mídia nacional em 2022 e emocionou milhares de pessoas em todo o país.
Os desafios da adoção sem romantização
Apesar da repercussão positiva, Fernanda afirma que a adaptação familiar exigiu paciência, maturidade e muito diálogo.
Ela conta que uma das fases mais difíceis aconteceu no relacionamento com Natália, hoje com 20 anos, adotada em 2023, com 17 anos na ocasião.
“Ela me rejeitou por mais de um ano. Foi um processo difícil. Um dia ela falou: ‘Se fosse outra família, teria me devolvido’. Depois perguntou: ‘Por que vocês não contam isso para as pessoas entenderem que é difícil, mas é possível?’”, relata.
Foi justamente dessa conversa que nasceu a ideia de compartilhar a rotina da família nas redes sociais.
Segundo Fernanda, mostrar apenas os momentos felizes nunca foi o objetivo.
“Acho que nosso sucesso nas redes é porque falta verdade no mundo. As pessoas romantizam muito. Queremos inspirar outras famílias e mostrar que é possível, mesmo sendo difícil”, afirma, informando também que em 2023 houve apenas duas adoções de adolescentes de 17 anos no Brasil.
Família cresceu novamente
Em novembro de 2024, a família ganhou mais um integrante: Emanuel, também de 17 anos.
Fernanda explica que a chegada de um novo filho também trouxe inseguranças e sentimentos diferentes entre os irmãos — algo que ela faz questão de abordar de maneira transparente.
“Assim como acontece com a chegada de um bebê, surgem ciúmes, medo de perder espaço, insegurança e necessidade de atenção. E não tem nada de errado nisso.”
Ela acredita que o vínculo familiar é construído diariamente.“Porque vínculo não nasce pronto. Ele é construído dia após dia, no meio do caos, das dúvidas, dos ajustes e, principalmente, do amor que permanece mesmo quando tudo parece bagunçado.”
Livro virou extensão da história
A trajetória da família também virou livro. Em novembro do ano passado, Fernanda lançou “Mãe por Amor”, obra que reúne relatos sobre maternidade adotiva, desafios emocionais e reconstrução familiar.
Ela acaba de retornar do Rio de Janeiro, onde participou de uma roda de conversa.
Projeto ajuda famílias adotivas
Além das redes sociais e do livro, Fernanda também lidera o projeto “Recomeçar Juntos”, iniciativa voltada ao fortalecimento de famílias adotivas e proteção da infância.
O projeto promove encontros mensais com famílias, profissionais e pessoas interessadas em adoção.
Fernanda também usa sua visibilidade para incentivar a adoção tardia, especialmente de crianças maiores e grupos de irmãos — perfis que ainda enfrentam resistência no processo de adoção no Brasil.
Ataques nas redes sociais
Mesmo com milhões de seguidores e uma legião de apoiadores, Fernanda afirma que também enfrenta ataques constantes na internet.“Eles são muito cruéis. Nos acusam de coisas horríveis”, lamenta. Ainda assim, ela garante que a missão da família continua sendo maior do que os julgamentos.
Neste Dia das Mães, a história de Fernanda mostra que maternidade também nasce da escolha, da permanência e da construção diária do amor.
