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Leonardo Sakamoto, na Casa Hub, promove debate sobre o futuro do trabalho

O jornalista Leonardo Sakamoto lançou neste sábado (18) o livro “O Que os Coaches Não te Contem Sobre o Futuro do Trabalho” na Casa Hub, em Indaiatuba. A obra, em parceria com Carlos Juliano Barros, é editada pela Alameda.

Sakamoto conheceu a Casa Hub, seus coletivos e a Rede Emancipa, responsável pelo evento, que está no calendário voltado a fortalecer a educação popular, a leitura crítica e os espaços coletivos de formação.

O jornalista, que é comentarista do Jornal da Cultura, colunista do Portal UOL e diretor da ONG Repórter Brasil, falou sobre o contexto em que a obra é lançada, sob a plataformização do trabalho, enfraquecimento dos sindicatos, desafios da Justiça do Trabalho e as pautas que tramitam no STF sobre o tema.

Sakamoto afirmou que a luta pelo fim da jornada 6×1 e pela redução da jornada semanal não é um tema novo, relembrando a demanda nas discussões da Constituição de 1988, e elogiou o engajamento de parlamentares como o vereador do Rio de Janeiro Rick Azevedo e a deputada federal Érika Hilton, ambos do Psol, que encabeçam os movimentos pela reforma na jornada e escala de trabalho e que encontram, segundo pesquisas recentes, uma aceitação superior a 70% da população na pauta.

Sobre o livro, Sakamoto afirma que a obra traz uma análise crítica e urgente das transformações no mundo do trabalho no Brasil contemporâneo, abordando desde violações históricas – como trabalho infantil, trabalho escravo e discriminação de gênero – até novas formas de precarização, como o falso empreendedorismo e o controle algorítmico sobre trabalhadores.

Sobre o autor

Leonardo Moretti Sakamoto é jornalista, doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP), professor de Jornalismo na PUC-SP e uma das principais vozes no debate sobre direitos humanos no Brasil. Fundador e diretor da ONG Repórter Brasil, organização criada em 2001 por jornalistas e cientistas sociais para enfrentar injustiças sociais e violações de direitos humanos, Sakamoto dedicou sua carreira ao combate ao trabalho escravo contemporâneo e à defesa da justiça social.

Ao longo de sua trajetória, cobriu conflitos armados no Timor Leste (1998), Angola (1999) e Paquistão (2007), além de violações de direitos humanos em todo o Brasil. Foi conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão (2014-2020) e comissário da Iniciativa de Liechtenstein contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Pessoas no setor financeiro (2018-2019).

Sakamoto é colunista do UOL, comentarista do Jornal da Cultura (TV Cultura) e colaborador da revista britânica New Internationalist. Entre seus livros anteriores, destacam-se “O que Aprendi Sendo Xingado na Internet” (2016) e “Escravidão Contemporânea” (2020).

Sua atuação lhe rendeu dezenas de prêmios nacionais e internacionais. Devido ao seu trabalho investigativo e à denúncia de estruturas de poder, Sakamoto já foi alvo de ameaças de morte e campanhas de difamação, tendo sido indicado ao Prêmio Repórteres Sem Fronteiras em 2016.

Sobre o livro

“O Que os Coaches Não te Contam Sobre o Futuro do Trabalho”, escrito em coautoria com o jornalista Carlos Juliano Barros, questiona o discurso motivacional que responsabiliza exclusivamente os indivíduos por problemas estruturais do mercado de trabalho. A obra revela como a narrativa do “patrão de si mesmo” frequentemente mascara a informalidade, a hiperexploração e a erosão de direitos básicos para milhões de trabalhadores brasileiros.

Baseado em textos previamente publicados pelos autores no UOL e na Repórter Brasil, o livro analisa como as transformações econômicas e tecnológicas recentes, aliadas a decisões políticas e empresariais, contribuem para o enfraquecimento dos direitos trabalhistas, o aumento da desigualdade e a redefinição de práticas exploratórias.

Sakamoto destaca que o avanço tecnológico não se traduziu necessariamente em melhorias nas condições de trabalho. Enquanto alguns profissionais utilizam inteligência artificial para aumentar sua produtividade, milhões de outros são submetidos a condições análogas à escravidão, controlados por algoritmos e jornadas intermináveis.

O livro também critica a demonização da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e alerta para os riscos da “pejotização” – a prática de contratar trabalhadores como pessoas jurídicas para evitar o cumprimento de direitos trabalhistas – atualmente em debate no Supremo Tribunal Federal.

Entre os temas centrais da obra, estão: precarização do trabalho e uberização; falso empreendedorismo e “pejotização”; impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho; trabalho escravo contemporâneo e controle algorítmico sobre trabalhadores, entre outros.

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