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Situação das escolas estaduais preocupa pais, alunos e funcionários

Denúncias feitas por moradores, pais de alunos e até funcionários apontam um cenário crítico em escolas estaduais de Indaiatuba. Relatos ao Jornal de Indaiatuba indicam falta de profissionais, problemas de limpeza, ausência de manutenção e sobrecarga de equipes pedagógicas em diversas unidades da cidade.

Entre as escolas citadas estão Dom José de Camargo Barros, Annunziatta, Joaquim Pedroso de Alvarenga e outras unidades da rede estadual. Segundo os depoimentos, a carência de funcionários atinge áreas essenciais, como limpeza, secretaria e inspeção de alunos. Há casos em que, anteriormente, seria possível a contratação de até sete profissionais, mas, de acordo com os relatos, os processos estariam bloqueados, agravando a situação nas escolas.

Diante da escassez de pessoal, professores, diretores e vice-diretores estariam se revezando para garantir o funcionamento básico das unidades, assumindo tarefas que vão além das funções pedagógicas, como limpeza e organização dos espaços. A rotina, segundo os relatos, tem sido marcada por exaustão e improviso.

Situação semelhante também foi apontada na Escola Antônio de Pádua, onde funcionam duas unidades no mesmo prédio — a Fernando Sabino, no período da manhã. De acordo com denúncia, não há funcionários suficientes no turno matutino, o que teria levado professores e equipe gestora a assumirem a limpeza de salas e banheiros. A unidade conta atualmente com apenas um inspetor, cujo contrato está próximo do fim, o que pode deixar a escola sem esse tipo de profissional.

Ainda segundo os relatos, há falta de materiais pedagógicos, escassez de professores e abandono de cargos por parte de funcionárias da limpeza, que alegam atrasos frequentes nos pagamentos. Em alguns casos, alunos estariam ajudando na limpeza, enquanto diretores e professores assumem a maior parte das tarefas.

As denúncias ganharam repercussão após uma publicação na página Indaiatubanos, que destacou a situação da Escola Dom José de Camargo Barros, no bairro Cidade Nova I. Vídeos enviados por estudantes mostram banheiros em condições precárias, com lixo acumulado, vasos entupidos e papel espalhado pelo chão. Há ainda relatos de mato alto, sujeira e falta de funcionários.

Segundo a publicação, a própria diretora da unidade estaria auxiliando na limpeza, enquanto alunos ajudam na organização das salas. Familiares também teriam se mobilizado para limpar áreas externas, como o pátio. Uma mãe classificou o ambiente como inadequado e afirmou que não há condições ideais para o aprendizado.

O cenário local se soma a um contexto mais amplo enfrentado pela rede estadual paulista. Desde junho do ano passado, o governo Tarcísio de Freitas não repassava verbas para a manutenção dos prédios escolares. Com isso, escolas ficaram sem recursos para reparos básicos, como consertos estruturais, limpeza de caixas-d’água e dedetização.

Diretores também relataram falta de cadeiras e carteiras suficientes para os alunos, sendo necessário pedir doações a outras unidades. O repasse faz parte do Programa Dinheiro Direto na Escola Paulista (PDDE Paulista), que previa três parcelas ao longo do ano, mas teve a última não paga, acumulando problemas durante o segundo semestre.

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) informou, em nota, que houve a rescisão unilateral do contrato com a empresa prestadora de serviços, devido a descumprimentos contratuais. Segundo a pasta, uma nova empresa foi contratada em caráter emergencial e já iniciou o atendimento nas unidades. A secretaria afirma ainda que segue acompanhando o caso.

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